Sábado, Julho 18, 2009
Retrato de Luzia

Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)
Foi na primeira página do jornal O Globo, em uma reportagem sobre a Guerrilha do Araguaia, que vi pela primeira vez o impressionante retrato da guerrilheira Luzia Ribeiro, que acabara de ser presa em Xambioá, na selva amazônica. Ela aparecia marcada fisicamente pelas agruras da vida na região, mas principalmente pelas dores das torturas a que havia sido submetida pelos comandados do major Sebastião Curió, que a haviam prendido. Luzia mantinha intocada na face de prisioneira, porém, os traços de beleza indefinível da jovem militante dos anos 60, que conheci ainda uma estudante secundarista. A "moça de olhos firmes" de Jequié, marca inconfundível da integridade jamais perdida, como fica claro na entrevista que ela deu ao jornal A Tarde esta semana.
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Na época, o retrato produziu sentimentos contraditórios no também jovem militante da UFBA. Primeiro, o contentamento de rever, viva, a querida amiga e companheira das lutas estudantis contra a ditadura nas ruas de Salvador, desaparecida de repente depois do último encontro em uma mesa cheia de outros amigos e companheiros que pareciam felizes como na canção "Anos Dourados". Todos sentados ou de pé em volta de uma mesa da "Barraca Botafogo", ao pé do histórico Relógio de São Pedro, à espera da passagem do trio elétrico de Dodô e Osmar, ou do bloco sem cordas do Jacu, de Waltinho Queiroz, com o travesti Valéria como destaque no carnaval marcado pelo sucesso do frevo "A Filha da Chiquita Bacana".
A segunda sensação foi de melancolia. Na impressão do retrato em O Globo, Luzia se assemelhava muito com uma das atrizes preferidas da geração 60/70: Jane Fonda. Principalmente no papel da pungente personagem central do filme de Sidney Pollack, "A noite dos desesperados". Uma película, como se dizia então, sobre a depressão da década de 1930, nos Estados Unidos, que levava as pessoas a decisões drásticas para sobreviver em um tempo marcado pela fome e o desespero.
Esta semana revi no jornal local o antigo retrato de Luzia, ao lado de uma fotografia atual quando se aproxima de completar 60 anos. Ilustram a entrevista concedida à repórter Patrícia França - depois de anos de silêncio público. Luzia fala na condição de única sobrevivente entre participantes da Bahia na guerrilha do PC do B, que ainda tem 11 nomes de ex-militantes na relação de desaparecidos. A ex-combatente faz o contraponto essencial ao recente depoimento de Curió, no relevante trabalho jornalístico produzido pelo Estadão.
Atualmente aposentada do extinto Baneb, formada em Economia, vivendo com um companheiro chileno, mãe de um filho, afastada do PC do B, mas militante de um grupo social que "luta em defesa da justiça e da paz", Luzia faz na conversa com Patrícia um relato comovedor de suas experiências pessoais na guerrilha.
É inflexível em relação a Curió: "Foi muito triste quando li o que Curió está relatando e mostrando em documentação. Claro que o jornal (Estadão) só mostrou um pouco, mas demasiadamente forte... Esse homem que eu não considero isso, considero um bicho, foi quem comandou a Marajoara, a terceira e última operação, que exterminou os 41 combatentes da guerrilha. Ele diz que estava do lado contrário, que obedecia ordens e que por isso é inocente. Mas ele tinha que ser julgado como criminoso de guerra. Em vários países existe isso, e aqui no Brasil este homem fica impune. Isso é que dói mais", diz a ex-guerrilheira. Curió "ganhou muito com o extermínio. Enriqueceu, ganhou prestígio, é dono de muitos hectares de terras em Serra Pelada, tem uma cidade com seu nome", denuncia Luzia.
Mas a ex-combatente de Xambioá reserva críticas duras também para "setores de esquerda", ex-aliados, em especial do PT, que ela acusa de ter feito acordos com militares, que resultam na impunidade de torturadores até aqui e na falta de vontade política do governo petista de tocar adiante as investigações cruciais: "Lula está aí há quantos anos? No início ele tinha um compromisso com os familiares da guerrilha do Araguaia. Inclusive o PC do B participa do governo, mas não tem a força suficiente para fazer com que o governo Lula abrace isso. Tudo que está acontecendo agora é em função de pressões nacional e internacional, de reportagens investigativas e de familiares dos desaparecidos".
"Entre esses familiares - lembra a ex-combatente - existem mães como a de Dinaelza Santana Coqueiro, com quase 90 anos, que não quer morrer antes de enterrar sua filha". Tantas décadas depois, a mesma integridade nas palavras e ações de Luzia, a moça generosa dos olhos firmes de Jequié, mostrada no antigo retrato de O Globo.
Que bom revê-la assim!
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PF: Filho de Sarney teria intermediado negócio de incorporadora com a Caixa em 2008 na casa do presidente do Senado
SÃO LUÍS - A Polícia Federal afirma em relatório que o empresário Fernando Sarney utilizou a residência de seu pai, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), em Brasília para intermediar negócios da incorporadora Abyara, sediada em São Paulo, com a Caixa Econômica Federal. É o que mostra reportagem de Raimundo Garrone na edição deste sábado em O GLOBO. Fernando Sarney foi indiciado pela Polícia Federal, na quarta-feira passada, por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, entre outros crimes. O empresário Paulo Nagem, amigo de Fernando, foi indiciado nesta sexta pela PF, junto com outras três pessoas.
Escutas telefônicas feitas pela polícia na Operação Boi Barrica - aberta em 2006 para investigar saques de R$ 2 milhões feitos por Fernando em meio à campanha eleitoral - revelam que o filho de Sarney fez tráfico de influência, junto ao governo federal e usando indicados pelo pai para cargos públicos, para obter benefícios financeiros. Fernando Sarney nega as acusações. (Leia mais: Ao fazer balanço do semestre, Sarney diz que a injustiça deve ser combatida 'com o silêncio, a paciência e o tempo')
A reunião na casa de Sarney, entre diretores da incorporadora Abyara e o vice-presidente de Pessoa Física da CEF, Fábio Lenza, indicado para o cargo pelo senador, teria ocorrido no dia 5 de março de 2008. O próprio Fernando liga para Lenza, para dizer que já está em Brasília, e que o "pessoal" está a caminho da casa de seu pai, onde era aguardada a chegada do vice-presidente da CEF. (Leia mais: Quase 280 terceirizados têm parentes no Senado)
As relações de Fernando Sarney com a incorporadora paulista são antigas. Segundo a PF, de agosto a novembro de 2007, foram depositados na conta conjunta de Teresa Murad e Ana Clara Sarney (mulher e filha de Fernando) pela Abyara um total de R$ 2,44 milhões. "Que transação poderia ter sido realizada entre as partes que justificasse esses depósitos?", estranha a PF em seu relatório, que ainda observa que, sempre no dia seguinte ao crédito, havia um débito de grande parte do valor creditado. (Leia mais: PSOL estuda interpelar Paulo Duque na Justiça por dizer que partido não existe)
O relatório da PF não detalha os interesses da Abyara, mas relata diversas conversas telefônicas entre Fernando Sarney e o empresário Paulo Nagem. Numa delas, Nagem diz que a incorporadora Abyara quer uma "recomendação" junto à Caixa. (Leia mais: Senado demitirá 200 servidores contratados por atos secretos, diz advogado-geral)
O relatório da Polícia Federal foi produzido em agosto de 2008, quando do pedido de prisão de Fernando Sarney, de sua mulher e de sua filha, além de outras 14 pessoas. O pedido foi negado pelo juiz federal substituto da 1ª Vara Federal de São Luís, Nejam Milhomem Cruz. (Leia mais: Ciro Gomes diz que Senado envergonha o país)
Em outubro do mesmo ano, a Abyara - que entrou em dificuldades financeiras após as investigações - divulgou nota rebatendo as acusações da PF. Disse que os depósitos na conta de Teresa e Ana Clara Sarney referem-se à compra de um terreno. De acordo com a empresa, a escritura de compra e venda do imóvel foi lavrada em 15 de agosto de 2007, tendo sido contabilizados os pagamentos realizados pela companhia em favor dos vendedores. (Relembre os escândalos no Congresso)
A incorporadora confirmou a celebração de um protocolo de intenções com a CEF, mas afirmou que tudo foi feito dentro da lei. Sobre os patrocínios, explicou que eles tinham o objetivo de divulgar sua marca em São Luís. Os advogados de Fernando Sarney não foram localizados para comentar.
Lula ficará com US$ 150 mil de prêmio da Unesco
Comissão de Ética Pública diz que ele não é obrigado a prestar contas ou devolver o dinheiro recebido da ONU
João Domingos
A informação de que o presidente não pretende doar o dinheiro foi dada pelo Palácio do Planalto. De acordo com seus assessores, trata-se de um prêmio concedido à pessoa de Lula e o dinheiro, que veio junto, é também dele. A Comissão de Ética Pública informou que o presidente não está submetido à legislação que obriga os funcionários a recusar prêmios valiosos, nem há norma que o obrigue a fazer a doação.
Apesar de sua origem humilde, Lula é hoje uma pessoa de posses. Seu salário líquido é de cerca de R$ 9 mil por mês e suas despesas são bancadas pelo Erário. Se estiver juntando o salário que recebeu e receberá até o fim de 2010, estima-se que tenha cerca de R$ 800 mil. Além disso, conta com uma pensão de cerca de R$ 3 mil mensais por ter sido preso durante a ditadura militar.
Na declaração de bens entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2006, quando concorreu à reeleição, Lula discriminou 16 bens. Entre eles, três apartamentos em São Bernardo (valor nominal de cerca de R$ 265 mil), aplicações em renda fixa e poupança (cerca de R$ 480 mil), uma S10 cabine dupla, um apartamento em construção no Guarujá (pagos R$ 47 mil) e um terreno no subdistrito de Riacho Grande (R$ 5,4 mil).
O prêmio da Unesco está em sua 20ª edição. A premiação já teve entre os ganhadores o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela; o ex-premiê israelense, Yitzhak Rabin; o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat; e o ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter.
No dia 7, ao receber o prêmio, o presidente Lula fez em Paris um discurso carregado de menções às questões internacionais, como a necessidade de que os países reduzam a emissão de gases de efeito estufa, um maior controle dos capitais internacionais e críticas à falta de condições dos países mais ricos para resolver os problemas econômicos e sociais do mundo.
Ao falar sobre o prêmio, Lula o atribuiu ao povo brasileiro. "Sinto-me honrado de partilhar essa distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro'', disse. Na plateia havia diplomatas, políticos e convidados das Nações Unidas.
Segundo Alioune Traoré, secretário executivo do prêmio, um terço dos laureados ganhou depois o Nobel da Paz.
EXPLODIDO O PAIOL DO HIZBOLÁ
O Exército israelense informou que explodiu um paiol da milícia xiita libanesa Hisbolá no sul do Líbano, a poucos metros da fronteira com o país. A operação, feita na terça-feira, foi informada por fontes do próprio Exército, que pediram anonimato. A munição estava em uma casa na cidade de Khirbet Selm, ao sul do rio Litani, e a cerca de 20 quilômetros da fronteira com Israel. De acordo com o Exército, havia munição e foguetes de curto alcance no local. "Achamos que este é um dos muitos armazéns de munição no sul do Líbano usados pelo Hisbolá", apontou. A explosão foi tão forte que danificou as paredes e o teto de uma casa em Kiryat Shmona, em Israel. O militar informou ainda que tropas da Força Interina das Nações Unidas para o Líbano (Finul) e do Exército libanês tentaram chegar ao local, mas o acesso foi impedido por milicianos do Hisbolá.

PALESTINOS CENSURAM TV AL-JAZEER
A Autoridade Palestina baniu as operações da TV Al-Jazeera em seu território na quarta-feira e disse que tomaria medidas legais contra a emissora por ter veiculado acusações contra o presidente Mahmoud Abbas. O Ministério da Informação disse em um comunicado que o canal, com sede no Catar, propagou calúnias e incitou os telespectadores contra as autoridades que administram a Cisjordânia, ocupada por Israel. O ministério disse que eram falsas as acusações exibidas na Al-Jazeera na terça-feira e atribuídas a Farouq al-Qadoumi, uma importante figura do partido Fatah, de Abbas. O canal citou Qadoumi dizendo que Abbas conspirou com Israel para matar seu antecessor, Yasser Arafat, em 2003. Arafat morreu em um hospital de Paris em novembro de 2004 de uma doença não revelada. "A TV Al-Jazeera vem dedicando espaço significativo de suas transmissões ao incitamento contra a Organização para a Libertação da Palestina e a Autoridade Nacional Palestina", disse o ministério em um comunicado. "Apesar de nossas repetidas solicitações (à Al-Jazeera) para que seja objetiva quando cobre os assuntos palestinos e expresse uma posição equilibrada em relação à situação interna, o canal continua incitando", diz o texto.

Ao divulgar o banimento, um apresentador da Al-Jazeera afirmou que o canal "expressa sua perplexidade por esta decisão da Autoridade Palestina e declara que vai divulgar um comunicado em resposta às acusações do Ministério da Informação palestino." A Al-Jazeera, disse o apresentador, foi um entre vários órgãos de imprensa a divulgar os comentários de Qadoumi sobre o suposto esquema para matar Arafat. A emissora transmitiu um programa especial de meia-hora sobre as alegações. Três policiais palestinos à paisana visitaram a sede da TV em Ramallah nesta quarta-feira para entregar a ordem de encerramento das atividades. "Os funcionários da Al-Jazeera não têm permissão para trabalhar, não têm permissão para transmitir, e suas equipes não tem permissão para produzir reportagens enquanto o Judiciário não der seu veredicto", disse Adnan Damiri, porta-voz do serviço de segurança palestino. "Nós vamos monitorá-los." A Associação da Imprensa Estrangeira, cuja sede fica em Jerusalém, divulgou um comunicado no qual expressa profunda preocupação e pede à Autoridade Palestina que reconsidere sua decisão, levando em conta seu compromisso com a liberdade de imprensa. Dirigentes palestinos definiram como calúnias as acusações de Qadoumi, que eles dizem ter como objetivo romper os esforços de unidade no Fatah. O partido atravessa um período de turbulência por causa das divisões entre suas facções. Qadoumi vive fora dos territórios palestinos e há tempos critica Abbas. As relações entre a Autoridade Palestina e a Al-Jazeera se tornaram tensas depois que o grupo islâmico Hamas desalojou as forças de Abbas da Faixa de Gaza, dois anos atrás. Os correspondentes do canal disseram então que os assessores de Abbas e autoridades do setor de segurança estavam incitando a população contra eles. Dirigentes palestinos acusaram a emissora de tomar o partido do Hamas, alegação negada pela Al-Jazeera. Na época, os correspondentes da Al-Jazeera foram proibidos de entrar nos escritórios de Abbas ou retirados dali.
AMEAÇAS CONCRETAS
Na semana em que lembramos os 15 anos do massacre na AMIA argentina, quando terroristas suicidas explodiram o prédio da federação israelita em Buenos Aires, explosões em hotéis de luxo na Indonésia nos demonstram que o perigo está vivo e mais presente do que nunca.
O fundamentalismo ataca em ondas de terror que intercalam as investidas quase diárias no Iraque, com o salpicar de massacres na Índia, Afeganistão, Paquistão e agora na Indonésia.

O fundamento do terror é sempre igual: atacar civis em locais de grande visibilidade para amedrontar a população, no intuito de subjugá-la. Este é o objetivo primordial para o terrorismo.
Quando Ahmadinejad do Irã diz que deseja “varrer Israel do mapa”, ele deve ser levado a sério, e devem ser acionadas todas as iniciativas legais para impedir que tenha meios para perpetrar tamanha aventura.
O desmantelamento das instalações nucleares no Irã não deve ser ônus apenas do Estado de Israel. É dever e obrigação de todas as nações do mundo ocidental que estejam interessadas num mundo de paz e fraternidade.
Esgotadas as iniciativas pacificas para impedir a proliferação nuclear no Irã, certamente assistiremos uma ação física internacional, com apoio até de países árabes e/ou muçulmanos, que temem serem dragados pelas ondas do fundamentalismo xiita, como o Líbano, Jordânia, Egito, Arábia Saudita, Turquia , Emirados Árabes e muitos outros.
Assistimos e falamos de ataques terroristas internacionais, mas não podemos esquecer, nem relaxar, das ameaças para a América do Sul e, em especial, ao Brasil.
As ameaças são concretas !

Osias Wurman
Jornalista


